A federação

 Nos anos 50 e 60, Recife era a capital do automobilismo da região, sempre realizando provas que atraíam alguns dos mais importantes pilotos da época para correr nos circuitos de rua dos bairros da Boa Viagem, o bairro da famosa praia recifense, e – posteriormente – no circuito do Derby, um bairro mais próximo do centro administrativo da cidade.

Era comum virem carros das principais equipes do país, como a Simca, a Willys e a Vemag, participarem de eventos na cidade que, àquela época, era a terceira cidade mais importante do Brasil em termos econômicos.

Ainda nos anos 60, quando da construção do campus universitário no que seria hoje o bairro da Várzea, e que teve parte dele passando a ser chamado de Cidade Universitária, as largas avenidas entre os prédios, com seu piso de placas de concreto mostravam-se uma excelente opção para serem feitas provas de velocidade sem complicar o funcionamento do trânsito em outros pontos da cidade. O circuito desenhado tinha 2600 metros de extensão e uma largura de pista – nas retas – de mais de 14 metros.

Provas como as 3 Horas de Velocidade, que foi disputada em 14 de março de 1965 tiveram lugar neste circuito.
As corridas no estado eram organizadas pelo Automóvel Clube de Pernambuco e depois, também por um grupo dissidente, a Associação Amadora de Automobilismo. Foi apenas em 1972 que veio a ser fundada a Federação Pernambucana de Automobilismo, cujo primeiro presidente foi o senhor Alceu Leal. Em 1973, as provas de velocidade pararam de ocorrer na Cidade Universitária, deixando o público pernambucano sem um palco para as corridas até o final daquela década.

Foi apenas em 1981 que ficou pronta a adaptação feita a um espaço que era dado como perdido: o “estacionamento rotativo” da Ilha Joana Bezerra, com a ação do presidente da FPA na época, o senhor Francisco Alberto Pires de Castro e o impulso dado pelo desempenho do piloto Antônio Teixeira no campeonato Norte-Nordeste de F-VW 1300 no ano anterior, tiveram no apoio do prefeito, senhor Gustavo Krause, o suporte necessário para utilizar o ocioso estacionamento como palco para alavancar novamente o automobilismo pernambucano.

O autódromo foi montado em pouco mais de dois meses e tinha 1725 metros de extensão. A maior das duas retas tinha apenas 680 metros e houve uma precipitação na época, quando se tentou inaugurar a pista com uma prova extra-oficial no dia 18 de janeiro: a quantidade de público foi muito acima do esperado e houve invasão da pista, causando a interrupção da corrida.

A reabertura, desta feita com uma prova oficial do campeonato pernambucano de velocidade aconteceu no dia 27 de setembro, com a presença de mais de 20 mil espectadores para aplaudir os 32 carros entre FIATs e Passats que rasgaram o asfalto do Joana Bezerra.O Autódromo da Ilha Joana Bezerra manteve-se em atividade até o ano de 1990, do jeito que era possível, quando foi desativado.

Hoje, Pernambuco conta com um Autódromo, que já sediou competições de nível Nacional e Internacional. Localizado em Caruaru, a 134 Km da capital, inaugurado em 13 de dezembro de 1992, com 3180 m de extensão, O Autódromo Internacional Ayrton Senna, tem uma pista seletiva, de velocidade media.

O Kartismo pernambucano também padeceu durante décadas com o improviso, com corridas em estacionamentos do aeroclube, na Cidade Universitária, no Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães – o Geraldão – antes de ir para o Joana Bezerra. Nos últimos anos o palco das competições era o estacionamento do Shopping Center Guararapes, na cidade vizinha de Jaboatão.

Com a força de vontade de guerreiros como os que expulsaram os holandeses no século XVII e se rebelaram contra o governo central do Brasil diversas vezes, o kartismo pernambucano começa a ser novamente alavancado com o kartódromo do Tamboriu – homenagem a uma imponente árvore que tem este nome e que foi deixada no centro da pista. O novo circuito está localizado em Recife, próximo ao Sítio do Picapau Amarelo, conhecido local de lazer na região.

A pista foi inaugurada para fins de treino no dia 09 de maio de 2010, conta com aproximadamente 1.100 metros de comprimento, tendo de 9 a 8 metros de largura em todos os pontos.

O investimento para esta empreitada partiu das mãos – e bolsos – de particulares, de amantes do kart, tendo sido construída exclusivamente com recursos privados, tendo a frente do projeto, como proprietários, investidores, e desportistas, o engenheiro Carlos Teixeira (Carlinhos Teixeira).

A FPeA, continua desempenhando seu papel na supervisão dos Campeonatos Estaduais nas modalidade de Velocidade, Kart, Arrancada e Rally.